07/02/2001 - Mudar para ser mais competitivo

No final da década de 80, a Universidade de Warwick fez uma pesquisa com vinte empresas britânicas para averiguar por que as companhias realizam treinamentos junto a seus funcionários, quando interrompem esses treinamentos e como desenvolvem seus recursos humanos. O resultado apontou que as empresas que obtiveram progresso na área, o fizeram sob pressão competitiva - as mudanças aconteceram devido a fortes pressões do contexto externo, levando as organizações a mudar a estratégia de negócios e trazendo nova consciência das deficiências de RH.

Pouco mais de dez anos depois - e já num novo milênio - podemos afirmar que não há mais espaço, nem tempo, para empresas que mudam somente de acordo com estímulos externos. Os profissionais dessas instituições precisam, atualmente, estar tão ou mais ligados aos acontecimentos para conseguir acompanhar ou mesmo prevê-los: a habilidade de antecipar e lidar com o futuro e novas tendências está se tornando uma competência gerencial importante.

A resistência das empresas às mudanças costuma surgir diante de alguns fatores. O principal deles é a falta de comprometimento e envolvimento da alta gerência com o novo projeto, seja qual for. Envolver os principais executivos das instituições em mudanças operacionais ou sistemáticas é fundamental para o sucesso. Mais do que isso, é necessário que os executivos apostem nas idéias, tornando-se o que chamamos de "patrocinadores da mudança".

A adaptação é essencial para as empresas

Outro forte motivo de resistência a uma nova tecnologia. Não saber lidar com novas técnicas e programas e, mais do que isso, não admitir o não conhecimento, leva algumas organizações a parar no tempo, ignorando as conseqüentes exigências do mercado. Em questão de meses, essas empresas podem se tornar tão obsoletas para funcionários, fornecedores e clientes, que correm o risco de não conseguirem mais se livrar dessa imagem e perder sua posição no mercado.

A solução para manter a instituição integrada às novas exigências externas e internas é, antes de tudo, a comunicação. Manter-se bem informado sobre as políticas que envolvem a empresa, sobre leis e decisões governamentais que possam interferir no negócio, é primordial. Internamente, os funcionários têm que saber o que está acontecendo no local onde passam a maior parte do tempo de suas vidas. As informações devem ser " cascateadas " , vindas de cima para baixo, para não haver dúvidas ou falhas na comunicação, o que mostra o envolvimento e o conhecimento dos executivos sobre as mudanças e pode evitar boatos, a famosa " rádio corredor " .

Nessa nova era em que entramos, a sociedade de informações está substituindo a sociedade industrial, mudando as estruturas sociais; o capital humano se tornou o recurso mais importante e, pela relativa escassez, mais valorizado; a introdução da tecnologia da informação está fazendo desaparecer a burocracia excessiva, e o trabalho passará a ser encarado como uma forma de desenvolvimento humano. Ou seja: as empresas não devem mudar só porque se espera que elas mudem, mas para continuar competitivas e se adequar ao meio ambiente, à sociedade e à tecnologia.

Fonte: Jornal Valor