01/2008 - Edição 263 - Há vagas no Data Center

Por CIBELE GANDOLPHO

A carreira do administrador de redes de data center Vinícius Pontes, 33 anos, de São Paulo, decolou depois que ele foi contratado pela Global Crossing, em 2002. De lá para cá, Pontes foi promovido cinco vezes e viu seu salário subir 600%. O carioca Cláudio Assis, 26 anos, ingressou na Alog Data Centers como operador de IDC. Hoje ele é gerente de operações e seu salário é o dobro de quando começou em 2005. O paulista Andrey Oliveira Guedes, 30 anos, está há quatro anos na Diveo, onde ocupa o cargo de coordenador de operações.

Pontes, Assis e Guedes são exemplos de profissionais que agarraram oportunidades no mercado de data center e se deram bem. Para chegar lá, os três investiram na formação em diferentes áreas. Pontes fez especializações técnicas e certificações Cisco, Novell, Microsoft e Itil. Assis correu atrás de um curso superior na área de TI, com ênfase em análise de sistemas. E Guedes fez mestrado em engenharia elétrica com ênfase em telecomunicações e deu um upgrade no currículo com especializações em gestão empresarial, cadeia de suprimentos, gestão de projetos, além de certificação Microsoft Certified Professional. “Quem não se atualiza, com um MBA, uma especialização ou uma certificação, não vai passar do patamar de analista. Não vai ocupar cargos de coordenador, gerente ou diretor”, diz Eraldo Jiaqueto, diretor de data center da Global Crossing.

Janete Teixeira Dias, coordenadora do departamento de Gestão de Carreira da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista), endossa a afirmação de que uma certificação faz diferença na carreira e no bolso. “Um profissional com certificações e especializações tem mais chance de atingir salários maiores”, diz. Enquanto o salário de um analista júnior varia de 3 000 a 5 000 reais, um gerente de suporte pode ganhar, em média, 12 000 reais.

NOVAS TECNOLOGIAS A atualização profissional, pré-requisito em qualquer carreira, é ainda mais imprescindível para pilotar os racks de servidores dos data centers. “Sempre atuei com infra-estrutura. Como é uma área sempre cheia de novidades, tenho buscado aperfeiçoamento constante”, diz Guedes, da Diveo. Quando uma nova tecnologia ou conceito surge no mundo da TI, muitas vezes precisa ser adotada imediatamente nas empresas de hosting e colocation. Foi assim com o Linux anos atrás e, mais recentemente, com a virtualização. “A virtualização está revolucionando os data centers, mas há poucos profissionais que dominam essa prática”, diz Jiaqueto. Os números comprovam. Segundo pesquisa da Symantec com empresas de 14 países, anualmente são gastos 6,6 bilhões de dólares na administração de dados. Entre as principais práticas aparecem a virtualização e a consolidação de servidores. No entanto, não é fácil encontrar profissionais qualificados. Dos entrevistados, 52% relataram operar com déficit de pessoal, 86% dizem ter dificuldade em encontrar candidatos adequados e 57% afirmaram que a qualificação dos empregados não atende às necessidades.

Junto com a atualização profissional, a versatilidade é outra qualidade valorizada pelas empresas na hora da contratação. “Nossa equipe é enxuta, por isso precisamos de profissionais que dominem desde a instalação e administração de servidores Windows e Linux até administração de redes e banco de dados”, afirma Fernanda Reis, gerente de recursos humanos da Alog Data Centers.

Enquanto algumas empresas valorizam o profissional mais generalista, outras dão preferência ao especialista. “A nossa maior procura é por pessoas com experiência de no mínimo cinco anos em ambientes especializados, como banco de dados Oracle e SQL, e sistemas de alta disponibilidade, como clusters Unix”, diz Claudia Nicoli, gerente de recursos humanos da Diveo.

DE OLHO NOS NEGÓCIOS Além do conhecimento técnico, as empresas também querem funcionários que entendam — e se envolvam — o negócio. “Os data centers estão interessados em profissionais ligados à busca de novos clientes e preocupados com o relacionamento com os já existentes”, afirma Ana Luiza Loureiro Segall, sócia da consultoria em tecnologia, telecomunicações e serviços Assert. A prática confirma essa tese. “Para crescer nesta carreira, percebi que é preciso estar antenado não só na parte técnica, mas também na visão e na estratégia de negócio da empresa”, diz Assis, da Alog.

Fonte: Info Exame

Fonte: Jornal Valor